Autofala: a habilidade de como falar consigo pode render na braçada!

Quando conversamos conosco, seja por sussurros ou mentalmente, podemos gerar diversas ações e emoções que favorecem ou até prejudicam o resultado daquilo que estamos prestes a desempenhar. O que muitos nadadores não sabem é que o “falar sozinho” pode ser uma técnica aliada à manutenção da atenção ao momento presente, ao maior nível de consciência, à motivação e ao controle das emoções durante uma performance. Esta habilidade técnica e psicológica é chamada também de “autofala”.
A autofala é bastante utilizada e eficiente dentro do contexto esportivo como parte do treinamento mental realizado junto com o psicólogo do esporte. Pode ser dada em forma de uma instrução a si mesmo, que pode ter como objetivo aumentar motivação, a confiança, concentração, empenho, autoregulação emocional, a precisão ao executar determinado movimento e até mesmo a capacidade de ignorar o medo, a plateia, os estímulos aversivos que podem mexer com seu foco atencional.
Isso ocorre porque seu cérebro recebe a informação certeira do que você deve estar atento e fica condicionado ao sucesso de uma ação.
Mas, pera aí! Nem tudo que eu falo a mim mesmo pode fazer sentido ou gerar necessariamente aquilo que desejo! Portanto, o mesmo serve para o diálogo interno negativo, que possivelmente quando repetido e emocionalmente alterado, poderá implicar em baixo desempenho, já que condiciona o cérebro a distrair-se – mandando informações de contração corporal, desmotivação, dificuldade de execução, descontrole emocional. Assim, a autofala, quando bem estabelecida, permitirá também que o atleta diminua suas distrações e chegue mais perto do seu objetivo.
Da mesma forma que nadar exige treino, manutenção, discriminação de estímulos e movimento, a autofala também determina uma investigação minuciosa sobre você e seu desempenho dentro d’agua para ser impactante e performática.
Um nadador por exemplo, pode desenvolver uma autofala de impacto positivo:

·       Com poucas palavras, ou bem curta

·       Que contenha a informação relevante e realista para a execução

·       Com conteúdo emocional assertivo

  

Utilizada e treinada diversas vezes, como manutenção para manter a que faz mais sentido e em que momento deverá ser emitida.
Essas podem ser alguns tipos de autofalas que os nadadores descrevem utilizar e sentirem eficazes, claro que de forma subjetiva, cada um com a sua: “Tranquilidade!”, “Explode!”, “Tamo junto!”, “Braço firme!”, “Faz o seu!”, “Respira agora!”, “Agora sou eu e a água!”, “Foco na virada!”, “Você sabe!”.
Nem sempre o nadador tem alguém fora da água com tanto impacto e incentivo na voz capaz de gerar uma explosão de embalo no competidor, como no caso, do “Vai, Thiago!”. E é por isso que a autofala pode ser um empoderamento interno, já que terá a função de mostrar exatamente o que você precisa se recordar imediatamente e executar nos seus treinos ou durante a competição quando está consigo dentro d’água.
Portanto, depois de definir o que fará sentido para você ouvir de si mesmo, ouse, arrisque-se e converse com você. O seu cérebro estará todo à ouvidos para você aumentar suas possibilidades de desempenho!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mariah Theodoro

Mariah Theodoro

Psicóloga Clínica e do Esporte, facilitadora de Mindfulness para manejo de estresse e desempenho em São Paulo (SP) e Bragança Paulista (SP).

Experiência aplicada nas áreas esportivas: Natação (CPB), Atletismo (CBAT), Jiu-jitsu, MMA, Judô (APAJA), futebol profissional, Ginastica Rítmica(CBG), Corrida de rua, Tênis, Surf, Kart, Wakeboard e pequenos atletas.

Mestre em ciências pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo HC-FMUSP, Mindfulness e profissionais da saúde (2016). Formação em instrutores de mindfulness pelo Mente Aberta módulos I e II (2016). Especialista em Terapia Analítico Comportamental com Aperfeiçoamento em Psicologia do Esporte e Atividade Física pelo Núcleo Paradigma (2011).

É graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2009).

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