O que comer antes do treino?

Toda alimentação deve respeitar objetivos individuais – inclusive a de pré-treino. Considerando uma prática esportiva moderada e uma alimentação sem restrições importantes, a primeira orientação é fazer uma refeição que consiga ser digerida de forma leve, ágil, e sem causar desarranjos intestinais ou desconfortos durante os treinos – como flatulência, distensão abdominal, refluxo ou eructação (ficar lembrando do alimento, o famoso arroto).
Qualquer desses sintomas pode reduzir consideravelmente sua capacidade de força durante o treino, e, considerando que nossas reações aos alimentos são particulares, cada pessoa deve fazer testes de combinações que geram maior bem estar e energia durante a prática esportiva.
A natação, pelo meio e posição do corpo, pode gerar mais regurgitação e refluxo, então se conhecer e fazer uma boa escolha é crucial. Você já imaginou comer uma feijoada caprichada e cair na água para fazer um treino pesado? Mesmo que não seja uma opção tão extrema, se gera desconforto, o princípio é o mesmo e rouba seu desempenho.
Não há consenso na literatura sobre o melhor pré-treino. Em geral, carboidratos são mais utilizados ou são a maior parte dessa alimentação – por fornecerem energia mais rapidamente sem causar letargia.
Claro que falamos aqui de carboidratos de boa qualidade dentre pães, batata cozida, bolachas de arroz, geleias, frutas, sucos naturais, água de coco, frutas secas, suplementos como palatinose e outros.
Gorduras e proteínas têm digestão mais lenta – devem estar em menor quantidade e serem também de boa qualidade, ou podem gerar desconforto, sonolência e falta de energia – esta estará direcionada à digestão.
Ovo, pasta de amendoim ou de castanhas, castanhas salgadas, abacate, queijos e iogurtes magros, coco, óleo de coco, suplementos como TCM e Whey estão entre algumas opções possíveis desses grupos.
Deve-se ter atenção especial aos lácteos: são campeões de reações intestinais em treinos – pela digestão ser mais difícil.
Observe o seguinte: se algum alimento lhe causa desconforto gastrointestinal em qualquer momento aleatório, a probabilidade de lhe fazer mal em treinos é grande – pela força abdominal e esforço geral.
A situação se agrava quando adicionado stress à conta (do trabalho ou competições por exemplo) – a reação não só acontecerá como será mais forte, então melhor evitar.
Adicionar um pouco de sal aos alimentos também ajuda na disposição e desempenho – em excesso ele é ruim, porém é extremamente útil a atletas e praticantes regulares de atividades físicas.
O “cafezinho nosso de cada dia” também é muito bem vindo – a cafeína melhora desempenho ajudando a entrar mais aquecido no treino, e dando mais resistência. Tenha cuidado ao consumir à noite, pois atrapalha o sono.
Timming também é importante: quanto mais próximo do treino, menor volume e mais rápida a digestão deve ser. Se for comer uma hora a uma hora e meia antes, alimentos com digestão mais moderada (proteínas, gorduras e fontes de fibras) devem ser incluídos e o volume aumentado.
Falei antes como nutricionista, agora falo como atleta: eu consumo lácteos normalmente, mas quando vou nadar evito. Em competições então, chegava a ficar a semana toda sem consumir – pois não me caia bem. Em geral, como carboidratos e tomo café. Se tiver proteína, será Whey ou clara de ovo em pequenas quantidades. Gosto muito de pães e torradas com homus, pimenta do reino e sal – me faz bem ter uma boa quantidade de algo salgado antes de treinar (ajuda quando se tem pressão baixa), prefiro salgados a opções doces. Não digiro bem gordura – também evito se vou fazer exercícios, mesmo em pequenas quantidades.
O ponto principal ao escolher uma refeição pré-treino de sucesso: não copie de ninguém!! Nem de Thiago Pereira – que comendo pedras consegue nadar bem.
Brincadeiras à parte, aprenda sobre o SEU corpo e faça testes com alimentos que, além de energia para o treino, lhe trarão mais saúde, em acordo com seus objetivos individuais.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Flavia Delaroli

Flavia Delaroli

Nutricionista da Care Club, ex-nadadora durante 15 anos dedicados ao esporte pela Seleção Brasileira, duas participações em Olimpíadas, sendo finalista nos 50 metros livre em Atenas (2004), participação em 12 mundiais e foi diversas vezes campeã, recordista brasileira e sul-americana nos 50 metros livre e revezamentos

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