Como treinar para nado em águas abertas na piscina?

Você curte águas abertas e quase nunca consegue treinar em lagos, rios ou mar? Não se preocupe! A estatística está a seu favor. Os maiores nadadores de águas abertas do mundo concentram mais de 90% de seus treinamentos em piscinas.
Esta estatística é muito parecida com a dos nadadores de piscina que quase nunca, ou pouco, treinam em piscina longa. A grande maioria dos nadadores tem pouco ou quase nenhum acesso à piscinas de 50 metros em sua preparação.
É lógico que uma adaptação sempre é importante e, para quem tem acesso, ajuda bastante. Mas isso não pode ser um fator limitante para o seu treinamento; pelo contrário.
Um dos aspectos muito importantes para o treinamento para águas abertas é utilizar as provas da temporada para ajuste de estratégias a serem aplicadas na sua prova principal.
Fora isso, existem algumas dicas que podem ser aplicadas diariamente no seu treinamento em piscina, especificamente para o trabalho voltado para as águas abertas. Confere a lista:
SEM VIRADA:
Este trabalho é bem simples: você simplesmente faz o treinamento inteiro sem poder tocar na borda. Dentro da sua própria raia, um ou mais nadadores executam uma distância (ou tempo de nado) sem qualquer toque na parede. Assim, todas viradas serão feitas “em voltas”, normalmente estabelecendo a faixa dos 5 metros como a área do giro. Onde os nadadores chegam, fazem um contorno e seguem treinando. Este trabalho pode ter um objeto flutuante, o que incrementaria ainda mais o treinamento de contorno de bóias, ou não.
TRABALHO DE VISUALIZAÇÃO:
A visualização é um treinamento fundamental afim de capacitar o atleta a executar o movimento sem stress durante a prova. Fazer determinadas séries onde o atleta deve respirar para a frente, em algumas vezes. Executar o movimento sem reduzir a frequência ou intensidade, fazendo com que o movimento seja integrado no nado normal. Ana Marcela Cunha, nossa melhor nadadora de águas abertas, faz isso com tanta frequência que, às vezes, ela nada provas de piscina respirando para a frente.
NADO CIRCULAR AO REDOR DA PISCINA:
Um trabalho bem tradicional, onde se retira todas as raias da piscina e executa um treinamento por tempo, circulando a piscina junto à parede. Este trabalho também pode ser incrementado com a alternância de direção, ou seja: ao comando do treinador, um apito indicaria a mudança de rota, o que faria o nado ser imediatamente trocado de direção. Pode se estabelecer tempos fixos ou variantes, deixando o atleta despreparado para o movimento que deverá ser feito de forma imediata.
DISPUTA CORPO A CORPO:
Estabelecer uma série de tiros, numa distância específica (25 se for piscina de 25 metros, ou 50 se a piscina for 50 metros). Fazer grupos de 3 nadadores a cada série, sendo que a cada tiro o nadador do lado direito tem a missão de completar a distância de forma mais rápida e passar para o lado esquerdo. Este nadador deve fazer isso de forma legal, incrementando sua velocidade, mas sem executar nada de irregular sobre os seus companheiros de série. Este nadador do lado direito deve fazer a distância de forma mais acelerada e seus outros dois companheiros de forma mais tranquila. A cada distância, troca-se o nadador que fará esta distância mais forte.
TROCA DE DIREÇÃO:
Colocar todos os nadadores no meio da piscina e estabelecer um código: ao sinal de um apito, nadam 4 ciclos para o lado direito; ao sinal de dois apitos, nadam 4 ciclos para o lado esquerdo. Estes ciclos são executados em alta velocidade, e o atleta tem de ter a capacidade de nadar com intensidade e estar pronto para trocar de lado de forma imediata. Aqui se trabalha velocidade e a capacidade de resposta para execução de nado junto a vários outros atletas, coisa que irá vivenciar na prova de águas abertas.
TREINO DE CHEGADA:
Você pode fazer a construção de um aparato de chegada e colocar na sua piscina mas, mesmo que não tenha, pode estabelecer ao final do treinamento (quando todos já estão cansados) tiros curtos, de alta velocidade, e finalizar jogando o braço para cima, na altura dos 5 metros finais. Repetir o trabalho num número de repetições adequados para cada grupo, mas sempre feito ao final do treino, e quando os atletas já estejam bastante cansados.
A criatividade sempre fará diferença, tanto para os treinadores como para os atletas. Assim, se tiver uma ideia ou sugestão de série, mande para nós. Até lá, bons treinos e boas braçadas!

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